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Mercado Municipal: tradição, resistência, esquecimento PDF Imprimir E-mail
Sex, 14 de Outubro de 2005 21:00

Aberto no fim da década de 50 como moderno centro de compras, Mercado sobrevive com poucas lojas e estrutura precária; comerciantes defendem reforma e tombamento.

O Mercado Municipal de Araraquara é um dos espaços tradicionais da cidade. Peixaria, quitanda, açougue, bar, tabacaria, loja de sapatos e de instrumentos musicais convivem lado a lado. Em seus 46 anos de idade, o público, a popularidade e as lojas do Mercado Municipal foram se transformando. Mas nem todas. Alguns comerciantes estão ali há décadas, em estabelecimentos comerciais que passam de geração a geração.
São 146 boxes com os mais variados preços, produtos, odores e histórias. A maioria dos estabelecimentos não tem apenas um lote e, nas contas do tesoureiro do local e dono do Mercafrios, Francisco César Belineli, o Mercado conta hoje com 46 unidades abertas e 22 fechadas, com aluguel em torno de R$ 150, valor que varia de acordo com a negociação. O condomínio varia entre 24 e 48 reais.
A administração do local é de responsabilidade do condomínio do Mercado, mas há lojas irregulares desde o final da década de 50, quando a Prefeitura vendeu os boxes aos comerciantes. A maioria lavrou escritura e registrou a posse, com exceção para os 10% que permanecem irregulares, segundo avaliação da Prefeitura. Desde então, ela é responsável apenas pela área externa ao Mercado, como calçamento, escadaria, iluminação etc.
O proprietário, além de possuir a escritura do imóvel, tem que registrar o box no Cartório de Registro Civil (CRI). Há casos em que não foi lavrada nem mesmo a escritura e a unidade continua em nome da administração pública. Segundo o tesoureiro, há mais de 15 anos a diretoria do Mercado tenta regularizar a situação para poder constituir, legalmente, um Condomínio. “Para isto, contamos com a colaboração do prefeito. Muitos lotes foram vendidos de maneira errada na época e por isto ainda convivemos com as irregularidades. A Prefeitura tem que exigir do proprietário uma solução para esta situação”, defende Belineli.

Quase meio século de história

A história do Mercado Municipal começa em 10 de maio de 1959. Para a população deixar de freqüentar as tradicionais feiras da cidade e adquirir o hábito de comprar suas frutas, verduras e mantimentos no Mercadão, as feiras foram proibidas. Além disso, conta-se que as contas de água das 13 mil casas só podiam ser pagas numa recebedoria instalada num Box do Mercado. Na época, predominava o comércio hortifrutigranjeiro, com grande presença dos feirantes.
Com o tempo, o comércio nos bairros e no centro da cidade cresceu, acompanhado pelo surgimento de shopping centers. Além disso, muita gente que passava por ali deixou de freqüentar o Mercadão por conta das seguintes mudanças nos arredores: o atendimento do antigo INPS foi descentralizado em postos de saúde dos bairros; no prédio da antiga Escola Carlos Batista Magalhães, passou a funcionar a Delegacia de Ensino. Além disso, a construção do terminal de integração de ônibus na “rodoviária velha” contribuiu para reduzir o movimento do Mercado, pois impediu que os passageiros transitassem no intervalo de um ônibus e outro.
Tudo isto contribuiu para que o Mercado Municipal perdesse a popularidade e o número de clientes, mas, mesmo com o fechamento de diversas bancas, o espaço ainda resiste. O tesoureiro do local considera urgente a modernização. “Diversos comerciantes aqui pararam no tempo.” Para o comerciante Paulo Roberto da Silva Augusto, que está no Mercadão há 40 anos, o principal problema ali é a concorrência externa “O espaço perdeu a função de Mercado Municipal, apesar de ser um dos principais pontos da cidade.” O tesoureiro ressalta a necessidade de restauração e tombamento do prédio.
O público do Mercadão hoje é formado por moradores de Araraquara, além de clientes de Américo Brasiliense, Matão e Nova Europa, que freqüentam o Mercado principalmente por conta do ponto de ônibus que vai para estas cidades, ali perto.
A movimentação do Mercado aumenta durante os finais de semana, principalmente nos bares da área externa. O Bar e Café do Ruivo abre suas portas às 6 horas da manhã e, no sábado e domingo, já começa a receber os clientes antes do sol nascer. Um pouco depois, abre o restante do Mercado. No bar ao lado, a diversão vem acompanhada por rodas de música ao vivo e, às vezes, karaokê. (Luciana Lazarini)


Eles fazem o Mercadão

De pai para filho
Paulo Roberto da Silva e seu bar fazem parte dos espaços históricos do Mercadão, que ele freqüenta desde os 11 anos, quando já ajudava o pai nos finais de semana. “Tem fregueses aqui que estão na terceira geração. Freqüentavam quando eram solteiros e agora chegam com o neto.”

Do tempo da freguesia
Maria Lúcia Cabrera trabalha na Casa de Carnes Seves no Mercadão desde os 13 anos. “Minha vida foi dentro do Mercado. Começamos aqui com uma portinha e vendemos muito porque sempre fazemos promoção. O Mercado mudou muito. Nossa freguesia tem muita gente de Rincão, Santa Lúcia e Américo Brasiliense.”

Do tempo de Pelé
Benedito de Carmo Felício, o ‘Pelé’ está no Mercado desde 1963. Já trabalhou como ajudante, carregando caixas, como engraxate, na limpeza e, atualmente, no chaveiro do Mercado. “O movimento do Mercadão caiu muito com o tempo”.

De tudo um pouco
Depois de três anos de Mercadão, a Arte Musical vai mudar para a Rua Nove de Julho para atingir um público com poder aquisitivo maior. Nil Silva lembra do Mercadão de sua infância nos anos 80: “Aqui era o centro comercial da cidade. Sempre acaba dando negócio porque a mistura é interessante. Pega tudo, bate junto e você tem o Mercadão”.

Antes do shopping
José Eiras chegou no Mercado Municipal aos 21 anos, quando o espaço era o maior centro comercial da região. Além da tradicional Tabacaria do Mercado, ele tem mais duas lojas ali com produtos diversificados, como calçados e chapéus. Para ele, o movimento não diminuiu. “É simples: se não vendo uma coisa, coloco outra.”



Fonte: Jornal "Tribuna Impressa" de Araraquara

Reportagem: Luciana Lazarini - free lancer

Foto: Mastrangelo Reino

Última atualização em Qui, 31 de Dezembro de 2009 10:06
 
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